A garota permanecia no sofá e folheava algumas
revistas. Saímos para o supermercado, que ficava muito próximo. A loirinha
reclamando que o chefe era muito desorganizado, gastava horrores com comida,
pois a casa era sempre cheia, agora então, com aquela pessoa lá, pai e filhos
almoçariam todos os dias - todo mundo aproveita d’ele.
- Como compra carnes, toucinhos, lingüiças, isso faz muito mal! E ele não
está tão em forma nem é mais tão jovem hein!
- É! Não dá um passo a pé. Vive no médico, já cansaram de pedir para comer
salada, fruta, fazer exercício; todo dia só faz comida pesada, vive passando
mal.
- Que horror! Que pena! Parece boa pessoa, acolhedor né?
- É bobo! Esse pessoal mesmo, ficou não sei quanto tempo inimigo dele e
agora chega todo mundo como se nada tivesse acontecido.
- Parecem legais. são bonitos!
- A moça quase morreu. Só quer saber de trance, drogas. São muito loucos!
Gente rica pode tudo né?
- São ricos?
- Falidos.
- Ah!
Na hora de passar na caixa, ligou para ele vir pagar com o cartão, pois
não aceitaram o cheque em branco que dera, precisava de documento de
identificação. Minutos depois chegou e logo nos localizou. Circulava entre as
pessoas com dificuldade.
Ao sairmos tinha um ar de desconforto e alguma vergonha, talvez pelas
impressões que as companhias - no caso, nós duas - poderiam causar.
Ele mesmo dirigia o carro luxuoso. Disse que da próxima vez levasse o
cartão, já que tinha a senha. Deveria ter lembrado de levar o documento, o
pessoal estava certo, como iriam aceitar um cheque assim, em branco, sem
identificação.
Ao chegarmos, o pai da moça havia chegado e veio nos receber na porta. Ofereceu-se
para ajudar a carregar as compras. A presença daquele homem era desconcertante,
tanto pela sua espontaneidade quanto pelo ar sedutor e ao mesmo tempo simples e
carente.
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