quarta-feira, 20 de junho de 2012


Mídias, liberdade e dominação
                                                             Márcia Jardim

       Resumo: Este trabalho tem como objetivo mostrar a influência da mídia no modo de vida das pessoas, desde a cultura de massa até o advento da internet. De como os donos da tv aberta exercem o controle das mídias e dominam  o mercado de telecomunicações, ditando o modo de ser e de viver segundo padrões por ela estabelecidos.

      .Introdução
    O controle das mídias está concentrado nas mãos de uma minoria. Lula afirma em entrevista que "dez famílias são donas da mídia no Brasil". A rede globo mantém a liderança, entrando todos os dias em 90% das casas brasileiras, ditando os modos de ser, ditando a moda, elegendo políticos segundo seus interesses e fabricando os ídolos que irão seduzir o público a viver segundo os padrões globais.
    Essas influências chegam até nós através de novelas, propagandas e programas de auditório. Em toda a programção, somos bombardeados com propagandas que estimulam o consumismo desenfreado e ditam nosso modo de viver. Segundo a psicóloga Marisa Sanabria,¹ "a propaganda está dirigida a subjetividade e ao imaginário social(...). Consumir vai preencher todas as nossas ambiguidades e nossas inquietações". A também psicóloga Maria de Fátima Nassif² completa: "o grande mote da publicidade hoje são estilos de vida e valores(...) é o que eu quero ser e o que eu quero ter(...) contribuindo para a construção(...) e prevalência do consumismo(...)".
Desenvolvimento
        O surgimento da internet, das mídias independentes, é uma possibilidade de exercício de liberdade. Aconteceu em Brasília nos dias 9 e 10 o Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, debatendo experiências, avanços e limitações de processos regulatórios de radiodifusão e telecomunicações, discutindo "os desafios e oportunidades na nova era da digitalização".
          A possibilidade de mudanças é mencionada por Eurico Viana em artigo da revista Carta capital:
                 Em relação à realização de tarefas e resolução de problemas, essa mudança, que já está em andamento, vai minar o poder de instituiçõe hierárquicas(...).(VIANA, 2012)
               Entretanto, o acesso facilitado aos meios de comunicação não resolve o problema da comunicação e o livre exercício do pensamento muito menos assegura uma visão mais crítica da realidade. Thomas Wood Jr. em artigo publicado também na revista Carta Capital, faz uma afirmação já constatada pelos espíritos mais atentos:
  "vivemos em uma sociedade vazia de grandes ideias(...). É          paradoxal pensar que nossa era, com seus gigantescos aparatos de pesquisa e desenvolvimento, o acesso facilitado a informações(...) não seja capaz de gerar ideias revolucionárias, como aquelas desenvolvidasem outros tempos por Einstein, Freud ou Marx.(WOOD Jr. 2012).
Conclusão
       O desenvolvimento tecnológico e o acesso facilitado a informação não significam garantia de um exercício democrático, livre, do conteúdo que dispomos. A informação deve ser processada e assimilada de modo que seja um instrumento de libertação, tanto social quanto individual.
        Se nos mantermos assujeitados diante do bombardeio de inovações e não soubermos utilizar esses instrumentos a nosso favor, o abismo social se tornará muito mais profundo do que o que vivemos atualmente.
      Porém, o instrumento essencial para o exercício da liberdade é a educação. Com um plano que atinja a todas as camadas sociais, podemos deixar o deslumbramento de lado e exercermos nossa consciência crítica, nossa liberdade de escolha, nossos valores culturais, sem a imposição de valores estéticos unificados que nos despersonaliza individual e culturalmente.
   


        Linguagens, mídias, dimensão estética e subjetividade
                                                                                                   Márcia Jardim

    Quando se institui a inserção da literatura na escola, pretende-se ampliar o conhecimento do aluno na construção de uma subjetividade "a partir de uma experiência estética". Para o professor Cristóvão Giovani, "é necessario se pensar os paradoxos e impasses para se propor uma relação entre arte e educação, entre literatura e escola".
     Essa experiência estética nos conduz a uma ampliação de possibilidades de relação com a natureza, com os outros e consigo mesmo, visto que os sujeitos, observando-os por outro ângulo e estabelecendo outras combinações, criam para si novas formas de vida, compondo outras tramas de existência no bojo de novos valores, novas sensibilidades, modificando-se profundamente neste processo.(FURTADO e ZANELLA,2007).
    Segundo Anne- Marie Chartier, "os professores podem ser de grande valia para despertar a curiosidade intelectual (...) incitando os alunos a ler (...) com o propósito único de se distraírem. O essencial é despertar o gosto pela leitura".
    Pensar literatura é pensar na linguagem em sua máxima expressividade. Ao lermos um texto literário entramos em contato com diversos saberes, desde científicos, históricos e sobretudo linguísticos. Dessa forma, as leituras são o território mais fértil para a construção de uma subjetividade.
    É importante que possamos cultivar o hábito da leitura desde a mais tenra idade. Podemos ampliar esse conceito para além da literatura especificamente. Com o advento da fotografia, do rádio, do cinema e da televisão, as possibilidades de informação se ampliaram assustadoramente. FURTADO e ZANELLA mencionam o fato de que o projeto de modernidade iniciado no iluminismo envolveu todos os aspectos da vida em sociedade, provocando mudanças, não sem conflito, na busca do desenvolvimento científico, na política, na economia,  filosofia e na administração dos grandes centros urbanos.
    De acordo com Walter Benjamin "Com o advento do século XX, as técnicas de reprodução atingiram tal nível que, em decorrência, ficaram em condições não apenas de se dedicar a todas as obras de arte do passado e de modificar de modo bem profundo os seus meios de influência, mas de elas próprias se imporem, como formas originais de arte. Com respeito a isso, nada é mais esclarecedor do que o critério pelo qual duas de suas manifestações diferentes — a reprodução da obra de arte e a arte cinematográfica".
    Quanto às técnicas de reprodução, Walter Benjamin se refere a "aura da obra de arte". Para ele, a obra de arte se destitui de sua autenticidade " na hipótese da reprodução, onde o primeiro elemento (duração) escapa aos homens, o segundo — o testemunho histórico da coisa fica identicamente abalado".
     Com o advento da fotografia e posteriormente, da imagem em movimento, ou seja, a invenção do cinema, ampliou-se a noção de arte. Segundo Benjamin " O fato de que, a partir do século XIX, tiveram a permissão de serem mostrados a um público considerável corresponde a um primeiro sintoma dessa crise não apenas desfechada pela invenção da fotografia, mas, de modo relativamente independente de tal descoberta, pela intenção da obra de arte de se endereçar às massas".
      Para Rodrido Medina Zagni,  já no contexto da segunda guerra mundial, o cinema se apresenta como " produto acabado do capitalismo, como um bem de consumo de massa, o cinema hollywoodiano tinha compromissos políticos e ideológicos e se articulava diretamente com a política externa dos EUA. Nesse moomento histórico, a arte era usada para controlar a opinião pública em função de um projeto ideológico do EUA em favor da ascensão capitalista.
    Atualmente, com o advento da internet e uma cultura visual em estado latente, o valor subjetivo e estético da linguagem é particularmente comprometido. Em um mundo cada vez mais veloz onde as informações chegam em tempo real, a possibilidade de leituras críticas e mais atentas é muitas vezes inviável. Porém, para não caír no pessimismo,  finalizo com Benjamin, que afirma: "Daí porque as extravagâncias e exageros que manifestam nos períodos de suposta decadência nascem, na verdade, daquilo que constitui, no âmago da arte, o mais rico centro de forças".

Subjetividade , estética e linguagem

A Modernidade apresenta-se como projeto de ruptura com a história e as tradições, ruptura
essa sustentada pelo sonho de uma vida mais ordenada, sob a égide das conquistas da racionalidade, objetivada nos avanços da ciência. Canclini (1990) aponta quatro movimentos básicos que constituem a Modernidade e que ainda estão em desenvolvimento na América Latina. São eles: um projeto emancipador, através do qual se buscou a racionalização da vida social e o individualismo crescente, sobretudo nas grandes cidades; um projeto expansivo, na busca de entender o conhecimento da natureza, a produção, a circulação e o consumo dos bens, configurando a obtenção de lucro, mas também a promoção de descobertas científicas e o desenvolvimento industrial; um projeto renovador, que, complementar aos outros, procura melhorias e inovação incessantes na relação com a natureza, libertando a sociedade de toda concepção sagrada sobre como deve ser o mundo e, renovando, por outro lado, os signos desgastados pelo consumo massificado; por último, um projeto democratizador, que confia à educação a difusão da arte e os saberes especializados para obter uma evolução racional e moral.

A idéia que sustenta a criação em arte urbana é de que a cidade, como destaca Certeau (2000), é discurso humano, é uma construção social e histórica que comunica, modifica-se, extrapola qualquer tentativa racional de planejar as etapas, de compreendê-la como a uma máquina. O ser humano que nela habita não é somente um ser da razão, mas ser criativo, que estabelece relações afetivas, imaginárias e estéticas com o entorno urbano, construindoo e constituindo-se nele, relacionando-se com as pessoas tendo esse entorno como contexto. Portanto, é possível e fundamental pensar em uma outra comunicação desse ser humano com o espaço e em um outro trajeto do olhar sobre o mesmo, resgatando o lugar em seus detalhes, naquilo que oferece ao sentimento de participação, de fazer-se junto no diálogo urbano, implicando as pessoas nesse processo. A arte ali está para ser vista, para suscitar emoções em quem passa e, por que não dizer, fazer emergir outros e diferentes discursos visuais, imagens outras que venham a significar a imagem mostrada e provocar nossa forma já acostumada de ler o mundo e decifrar as imagens que nele se saturam

Certamente não cabe à arte resolver problemas sociais, mas ela pode promover relações estéticas na tessitura urbana e engendrar, a partir dessas relações, reflexões éticas e políticas. Não cabe à arte suspender as diferenças que coexistem no entorno urbano e viabilizá-lo como um museu aberto, mas criar novas tramas urbanas com a arquitetura, com as paisagens e as pessoas. Acredita-se que a arte urbana pode promover experiências estéticas capazes de modificar os modos de ser e ampliar as relações que se estabelecem com o espaço, constituindo o que Argan (1993) chama de sentimento de cidade
                           Oração a Santa Ana
    Santa Ana gloriosa, mãe da mãe de Jesus
minha alma não será ingrata aos vossos favores.
Mãe amorosa, socorrei-me nos trabalhos desta vida.
Tesouro de paciência,,
 inflamai-me com vossa virtude e casta paciência.
Mãe cuidadosa, protegei-me contra o poder do mal.
Socorrei-me em minha fraqueza, dando-me virtude,
perseverânça e firmeza.
Amén