terça-feira, 6 de maio de 2014


Meu amigo mora sozinho e sua casa está sempre cheia de gente. Está sempre com uma namorada nova. É professor de geografia em cursinhos e eu mesma já fui sua aluna. É um ótimo professor, interage com a galera e está sempre envolvido em causas ambientais, partido verde, essas coisas de ativista, porém não consegue levar a faculdade adiante porque o trabalho e a galera não deixam.
Somos amigos de longa data. Quando terminei o namoro, nos aproximamos mais, pois ele também terminara um romance longo e complicado com uma garota que eu só conhecia por fotos.
Desde então nos aproximamos e eu freqüentava muito sua casa. Casa de galera, gente jovem, animada, que gosta de festas, de cultura, arte. Todos cheios de sonhos, desafios, muitas expectativas, dificuldades idem. Como diz uma música muito conhecida: O jovem no Brasil nunca é levado a sério.
Antigamente, quando eu trabalhava no shopping, namorava sério, viajava sempre para o interior, curtir a natureza, tudo corria muito tranqüilo, aparentemente. Porém, chega um momento que você percebe que o tempo está passando e você não está fazendo nada além de curtir os momentos sem nenhum aprofundamento. Uma sensação de perda de tempo começa a angustiar, oprimir; uma cobrança de atitudes se impõe e toda aquela aparente tranqüilidade se desfaz. Como um castelo de areia que cai por terra.
Dificuldades de toda sorte saltam a sua frente querendo imobilizá-lo ainda mais. É difícil abandonar uma vida de comodidades e conveniências, mas quando sua consciência e suas necessidades espirituais superam as convenções, a própria natureza se encarrega de desfazer os desenganos e as ilusões que não preenchem mais. Se você resiste a essa necessidade de mudanças, de encontros mais profundos, a insatisfação se torna parte da vida e você pode lamentar para sempre por ter ignorado a sua voz interior que tentava despertá-lo.
A vida é única e vale a pena correr riscos, não podemos deixá-la passar, conformados com a idéia de nascer, crescer e morrer simplesmente. Precisamos acreditar na evolução, no aperfeiçoamento e na plenitude de viver, ou então a vida pode se tornar uma sucessão de erros e enganos. De uma forma ou de outra, estamos sujeitos a isto.
Mas é preciso ao menos tentar alcançar nossas expectativas com relação a nós mesmos, tornar a existência mais satisfatória. Atingir níveis de consciência mais elevados e evoluir espiritualmente deve ser guia seguro para o jovem, pois é o momento em que tudo pode ser decidido. Aquele momento no qual você dá um passo à frente ou pode permanecer para sempre no mesmo lugar e se tornar um ser apático, que sobrevive simplesmente sem ao menos ter tido a coragem de tentar.
Precisamos perceber a necessidade de fazer algo pelo futuro, buscando no presente a oportunidade de vencer os nossos preconceitos, aceitar e valorizar as diferenças, construir opiniões coerentes sobre o mundo, sobre a vida, sobre o desconhecido, as ameaças, os medos. Compreender o incompreensível, vencer a apatia, atuar de forma ativa para não sermos dominados por forças opressoras que tentam de todas as formas impedir a evolução que o ser humano persegue desde tempos imemoriais, através de crenças religiosas, organizações sociais, instituições, tudo que possa reunir grupos em busca das verdades que os une. As descobertas, necessidade de buscar o autoconhecimento permeiam o desejo de evoluir sempre e nos impele a agir.

Os jovens têm uma percepção aguçada com relação às opressões e as injustiças porque é o momento em que ele percebe mais atentamente que as mudanças dependem de uma tomada de atitude nesse momento de suas vidas.

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