Lá
dentro, o chefe e as duas ajudantes, cada uma no seu papel, se preocupavam com
o almoço. Tinha que fazer sempre muita comida, pois era sempre incerto o número
de convidados, ou visitas. A loirinha avisou que a metade dos artistas veio na
tarde do dia anterior assinar os contratos. Nesse momento eu olhava de soslaio
para a prateleira que ficava no corredor, do lado oposto aos quartos, próximo à
cozinha. Notei que havia muitos livros, um lindo baú azul, muito empoeirado e a
mercê do sol e da chuva. Tudo poderia ser destruído sem dificuldade, uma vez
que estavam cobertos simplesmente por uma lona preta que seria facilmente
removida pelo vento.
Senti uma vontade enorme de tirá-los dali imediatamente, mas as coisas
tumultuavam na cozinha. Era preciso ir ao supermercado com a loirinha, apesar
de estar um pouco desfeita pelo trabalho braçal que eu executara. Porém os
cabelos muito curtos e o coturno que costumava usar, não ofereciam dificuldades
para me recompor; limpei-os e lavei o rosto, passando a mão nos cabelos,
adquirindo um aspecto mais agradável.
Não que usasse cabelos curtos desde sempre, mas
resolvi cortá-los eu mesma, pois demandava muito esforço por serem volumosos e
encaracolados demais. Queria um cabelo novo para quando dispusesse de tempo
para cuidar com o esmero que exigiam.. Sempre achei que o cabelo grande é uma
arma forte das mulheres; não era exatamente o tipo de arma que eu precisava
para as batalhas que enfrentava no momento
Nenhum comentário:
Postar um comentário