sábado, 24 de maio de 2014

Lá dentro, o chefe e as duas ajudantes, cada uma no seu papel, se preocupavam com o almoço. Tinha que fazer sempre muita comida, pois era sempre incerto o número de convidados, ou visitas. A loirinha avisou que a metade dos artistas veio na tarde do dia anterior assinar os contratos. Nesse momento eu olhava de soslaio para a prateleira que ficava no corredor, do lado oposto aos quartos, próximo à cozinha. Notei que havia muitos livros, um lindo baú azul, muito empoeirado e a mercê do sol e da chuva. Tudo poderia ser destruído sem dificuldade, uma vez que estavam cobertos simplesmente por uma lona preta que seria facilmente removida pelo vento.
Senti uma vontade enorme de tirá-los dali imediatamente, mas as coisas tumultuavam na cozinha. Era preciso ir ao supermercado com a loirinha, apesar de estar um pouco desfeita pelo trabalho braçal que eu executara. Porém os cabelos muito curtos e o coturno que costumava usar, não ofereciam dificuldades para me recompor; limpei-os e lavei o rosto, passando a mão nos cabelos, adquirindo um aspecto mais agradável.
Não que usasse cabelos curtos desde sempre, mas resolvi cortá-los eu mesma, pois demandava muito esforço por serem volumosos e encaracolados demais. Queria um cabelo novo para quando dispusesse de tempo para cuidar com o esmero que exigiam.. Sempre achei que o cabelo grande é uma arma forte das mulheres; não era exatamente o tipo de arma que eu precisava para as batalhas que enfrentava no momento

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