Após calorosas discussões fomos curtir um pouco de música. O filho da
professora tocava violão com maestria e cantava com uma voz aveludada, macia,
que penetrava nossa sensibilidade, aguçada pelas discussões. Era um belo rapaz,
muito jovem e com olhar meditativo.
Muito tarde chegou o meu amigo e não demoramos tanto
quanto no dia anterior. Preferi voltar para casa antes de presenciar os frutos
que o rapaz iria colher por seu desempenho musical. Preferi levar comigo
somente as impressões despertadas pela voz e por aquele olhar; seriam
suficientes para despertar qualquer coração, mesmo protegido de falsas ilusões
e promessas vãs. Eram experiências e sensações mais que suficientes para uma
mente e um coração que tanto buscava moderar os sentidos e escutar a voz da
razão. Eu jamais poderia imaginar que ele seria o portador da minha razão de viver, anos mais tarde. Mas isso é matéria para um outro romance, não tão romântico assim.
Um novo dia de trabalho recomeçava. Na verdade eu estava curiosa para
chegar lá. Chegara cedo da noite em casa e dormi bastante. Os novos encontros
mexeram com os sentimentos. As idéias, as músicas, aquelas pessoas que se encontravam
como se já se conhecessem há muito tempo.
Saí mais cedo para ir sem pressa e antes do horário de pique no trânsito.
A brisa soprava fresca e suave. Tudo tinha um colorido diferente. O céu muito
azul, as praças muito verdes. Senti vontade de descobrir o nome daquelas
florzinhas tão singelas espalhadas por todo lugar, bem típico daquela área privilegiada
da cidade. Eram tão comuns, porém tão lindas e tão alegres! Que cidade linda,
que ar gostoso agente pode respirar, mesmo sendo uma cidade grande.
Nenhum comentário:
Postar um comentário