segunda-feira, 19 de maio de 2014

Após calorosas discussões fomos curtir um pouco de música. O filho da professora tocava violão com maestria e cantava com uma voz aveludada, macia, que penetrava nossa sensibilidade, aguçada pelas discussões. Era um belo rapaz, muito jovem e com olhar meditativo.
              Muito tarde chegou o meu amigo e não demoramos tanto quanto no dia anterior. Preferi voltar para casa antes de presenciar os frutos que o rapaz iria colher por seu desempenho musical. Preferi levar comigo somente as impressões despertadas pela voz e por aquele olhar; seriam suficientes para despertar qualquer coração, mesmo protegido de falsas ilusões e promessas vãs. Eram experiências e sensações mais que suficientes para uma mente e um coração que tanto buscava moderar os sentidos e escutar a voz da razão. Eu jamais  poderia imaginar que ele seria o portador da minha razão de viver, anos mais tarde. Mas isso é matéria para um outro romance, não tão romântico assim.



Um novo dia de trabalho recomeçava. Na verdade eu estava curiosa para chegar lá. Chegara cedo da noite em casa e dormi bastante. Os novos encontros mexeram com os sentimentos. As idéias, as músicas, aquelas pessoas que se encontravam como se já se conhecessem há muito tempo.

Saí mais cedo para ir sem pressa e antes do horário de pique no trânsito. A brisa soprava fresca e suave. Tudo tinha um colorido diferente. O céu muito azul, as praças muito verdes. Senti vontade de descobrir o nome daquelas florzinhas tão singelas espalhadas por todo lugar, bem típico daquela área privilegiada da cidade. Eram tão comuns, porém tão lindas e tão alegres! Que cidade linda, que ar gostoso agente pode respirar, mesmo sendo uma cidade grande. 

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