Chegando ao escritório-residência, fui à cozinha cumprimentar quem lá
estivesse, pois não encontrei ninguém pelo caminho. Cumprimentei a empregada e
o italiano, que tomava seu café com bolachinhas de maizena. Soube depois que fazia
sempre assim todos os dias e pude comprovar que era verdade.
O chefe ainda estava se preparando e minutos depois entrou, perguntando
pela loirinha que estava atrasada - como sempre .
Enquanto tomava café, eu e a empregada fomos para uma área nos fundos,
pois ela iria dar ração para a cachorra. Era um filhote de dálmata que chegara
há poucos dias. Chamava-se Princesa. Estava toda suja de terra, toda noite
destruía os canteiros que haviam por lá. Era um animalzinho muito agitado,
mesmo porque ficava trancada nos fundos durante todo o tempo e estava dando nos
nervos dela e do dono. Não sabiam o que fazer com a pobrezinha e acabavam por
agredi-la às vezes.
No corredor lateral, haviam algumas prateleiras cobertas com uma lona
preta que tomava toda a parede. Despertava curiosidade. Via-se um monte de livros
misturados com muitas quinquilharias.
Então me ofereci para dar uma volta com a Princesa para ver se ela se acalmava.
Ele ficou em dúvida, mas acabou cedendo.
Segui a rua em frente a chegamos a
uma pacinha. Ficamos o tempo suficiente para que ela andasse um pouco e para
que o escritório começasse a funcionar.
Ao retornarmos, todos já haviam chegado e a loirinha fora ao supermercado
com o segurança.
A filha de um antigo amigo daquele senhor, o chefe, viria passar uns dias
naquela casa, pois estava saindo de uma Clínica de Recuperação. A garota estava
se recuperando de uma overdose; as meninas estavam horrorizadas com o fato e
curiosas para conhecê-la.
Ficamos na cozinha naquela manhã, pois viriam para o almoço. A comida era
farta e pesada naquela casa. Mesmo com problemas de obesidade aquele senhor se
fartava em carnes, gorduras e doces.
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