segunda-feira, 16 de junho de 2014

A professora de latim era uma senhora que possuía uma tranqüilidade inebriante. Explicava as declinações com tamanha clareza que nos fazia supor fossem simples e de fácil aprendizado. Eu lamentava profundamente não ter sido aplicada nelas desde o ginásio, como ocorria outrora, quando a educação era excelente, apesar de menos acessível.
Seu jeito não agradava a todos, evidentemente, a maioria preferia discussões mais polêmicas. A mim me parecia quase geométrico. Sua NOVAGENDA, expressão que utilizava para organizar os casos, despertava interesse pela língua imortal. Saí da classe embriagada. A maioria havia saído ao longo da aula e ela ficava satisfeita com os que restavam. Era clássica na expressão e no estilo.
Desci as escadas um pouco esquecida dos fatos e do tempo. Fui à lanchonete tomar um café. Depois desci para o “Cabaré Voltaire”. O sol ainda brilhava forte.
Ao chegar lá, estavam apenas os garotos organizadores e alguns “hippies” que pareciam terem se instalado ali naqueles dias. Tomavam cerveja, fumavam e todos estavam bem tranqüilos e satisfeitos. Tudo estava pronto para logo mais.
- Olá pessoal!
- Oi! Chega aí.
-Como vão as coisas?
- Meus dias tem sido emocionantes. Rola de dar uma descansada aqui? Tive até aula hoje!
- A noite vai rolar uma performance.
- Legal! Tá aparecendo uns músicos aí, né?
- Pessoal da galera mesmo.
- Hm! Vou dar uma deitada nesse sofá aqui.

- Beleza! Fique a vontade.

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