Já estava me acostumando com aquele ambiente que me pareceu tão hostil e
estranho a princípio. Havia algum mistério naquela família, mas pareciam todos
sensíveis e apaixonados. Quem conhece a felicidade e depois a ignora, abre mão
dela sem lutar?
Enquanto almoçavam, eram discretos nas palavras e nos gestos, afáveis uns
com os outros e gentis com todos. A moça servia antes ao pai do que a si mesma,
certamente o adorava, a ponto de tatuá-lo ainda mais belo no próprio corpo.
No momento em que ela sentou-se na sala de estar, imaginei que talvez
quisesse conversar. Todos a estavam tratando com uma gentileza complacente. Não
parecia apreciar olhares curiosos de pena e com certeza superaria o que
ocorrera, se já não o fizera. Tinha uma postura firme e altiva, dona de si,
parecia já ter enfrentado grandes problemas. Seu pai demonstrava certa imaturidade,
parecia não ter se afirmado ainda e seria um eterno conquistador. Os irmãos,
talvez precisassem de um guia mais seguro naquela altura de suas vidas; a única
presença feminina talvez fosse a da irmã; talvez tenha amadurecido rápido demais tentando suprir a necessidade
dos três.
Nenhum comentário:
Postar um comentário