terça-feira, 10 de junho de 2014

Já estava me acostumando com aquele ambiente que me pareceu tão hostil e estranho a princípio. Havia algum mistério naquela família, mas pareciam todos sensíveis e apaixonados. Quem conhece a felicidade e depois a ignora, abre mão dela sem lutar?
Enquanto almoçavam, eram discretos nas palavras e nos gestos, afáveis uns com os outros e gentis com todos. A moça servia antes ao pai do que a si mesma, certamente o adorava, a ponto de tatuá-lo ainda mais belo no próprio corpo.

No momento em que ela sentou-se na sala de estar, imaginei que talvez quisesse conversar. Todos a estavam tratando com uma gentileza complacente. Não parecia apreciar olhares curiosos de pena e com certeza superaria o que ocorrera, se já não o fizera. Tinha uma postura firme e altiva, dona de si, parecia já ter enfrentado grandes problemas. Seu pai demonstrava certa imaturidade, parecia não ter se afirmado ainda e seria um eterno conquistador. Os irmãos, talvez precisassem de um guia mais seguro naquela altura de suas vidas; a única presença feminina talvez fosse a da irmã; talvez tenha amadurecido  rápido demais tentando suprir a necessidade dos três.

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