quarta-feira, 30 de abril de 2014

 Morava na casa havia algum tempo. Foi parar lá porque soube que era uma casa de eventos. Como não tinha nada para fazer como modelo acabou indo parar na cozinha. Era melhor que entrar no esquema das colegas com quem dividia aluguel antes de ir parar lá. As garotas faziam programas que sua origem e criação não permitiam.

Com o tempo ele a chamou para morar lá, pois a casa era muito grande, ele morava sozinho e facilitava muito para ela, além de não precisar pagar aluguel nem pegar ônibus todo dia, evitando assim muitos gastos e desgostos.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Meu bloguinho vai virar uma salada mista mas eu gosto dele mesmo assim, doidinho e simplesinho.
Os móveis eram quase rústicos, amplos sofás e uma escultura em madeira que se destacava pelo seu aspecto erótico - até poderia descrevê-la mas deixo que a imaginação do possível leitor, caso se interesse pela imagem a visualize ele mesmo. Nas paredes, muitos quadros de alguns artistas conhecidos, sendo a maioria, regionais.
A pequena sala que funcionava como escritório ficava logo na entrada. Ao lado da parede oval, que não separava completamente a sala de jantar do amplo salão, outra parede destacava e ao mesmo tempo restringia o acesso à área íntima da casa. Formava-se um corredor cheio de totens, com traços assustadores, causando uma sensação de medo e admiração.
Os quadros exigiam atenção especial e despertava o senso estético. Mesmo não sendo todos belos eram com certeza, excelentes. Havia alguns auto-retratos de mulheres bem distintas e elegantes, feitos a lápis.
Do lado esquerdo, a parede oval se abria para a cozinha, facilitando assim o serviço à mesa, que seria intenso nos dias subseqüentes.
A empregada era uma moça de aparência uma pouco bizarra. Morena, muito magra, cabelos muito negros e encompridados por um indiscreto aplique, com certeza era de outra região. A mistura de negro com índio, se não a tornava bonita também não ocorria o contrário. Usava cabelos soltos, maquiagem, uma roupa muito justa e saltos muito altos.
Várias pessoas almoçaram. Duas moças muito bonitas que aguardavam na sala de estar, o segurança que aparecera naquele momento, um senhor alto e forte como geralmente são os seguranças, de idade respeitável, um italiano, amigo de longa data do dono da casa e que sempre passava férias com ele. Era um senhor magro, de aparência saudável e bem cuidada, modos muito refinados, um ar superior e estatura média.
O anfitrião era o oposto do amigo. Baixo e muito gordo, com óculos de lente grossa e pesada e modos grosseiros, mas ao mesmo tempo não deixava de transparecer alguma doçura. O italiano entrara no escritório no começo da manhã para pegar a chave do carro e só voltou quando o almoço estava sendo servido e todos já haviam se acomodado à mesa.
Uma loirinha muito jovenzinha que entrara várias vezes no escritório demonstrando muita intimidade, fazendo ligações telefônicas, carregando o telefone móvel de um lado para outro, pedindo dinheiro para fazer supermercado e com ar de dona da casa, ajudava a empregada a servir o almoço e logo depois se juntou ao grupo para almoçar.
Todos almoçaram alegremente e bastante a vontade, fazendo alguns comentários sobre o festival que aconteceria na próxima semana.  Seria alugada uma casa em que todos se instalariam por cinco ou seis dias. Deveria ser uma casa grande para comportar toda a equipe. Seriam duas ou três meninas para ficar no palco, um segurança, um motorista, a empregada, entre outros, caso fosse necessário. O italiano voltaria antes para sua terra e não ficaria para o evento.
A empregada e o segurança foram a únicos que não se sentaram à mesa. Logo após a refeição eu e a loirinha fomos ajudá-la a tirar a louça. As garotas foram para a sala de estar. Os dois foram para seus quartos e só voltariam após as 14h.
A cozinha era muito ampla. Copa, despensa e a dependência da empregada. Na despensa havia muitos armários cheios de utensílios domésticos. Muitos copos, pratos, taças, bandejas, várias caixas vazias de cerveja. Grande parte de tudo aquilo seria levado para servir os camarins dos artistas que se apresentariam no palco que estaria sob a responsabilidade daquela equipe.
A empregada avisou que era muito difícil trabalhar com aquele senhor:

- A casa está sempre cheia de gente o tempo todo e ele tem mania de achar que está sempre sendo roubado por quem trabalha com ele. Na hora do almoço sempre tem visitas, geralmente garotas que não fazem nada da vida e acham que são modelos; nunca ajudam sequer a tirar a louça.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Redenção- romance em três atos, p 4

Caminhar parece dar asas aos pensamentos. Naquela manhã saí de casa determinada. Fiz o percurso a pé. As ruas da cidade são limpas e agradáveis. Tudo plano, bem cuidado, amplo. Não damos muitos passos sem nos depararmos com um lindo e bem cuidado canteiro de flores de todas as cores. Alegra o pensamento e abranda as incertezas.
Apesar do tráfego intenso, a sensação de andar livremente desfrutando de momentos de memorável solidão compensam o desconforto do barulho inevitável. Caminhadas proporcionam um prazer inenarrável.
Naquela manhã eu iria conversar com uma pessoa, indicada por um conhecido que organizava eventos culturais. Na verdade esse conhecido me enviou para fazer parte da equipe para o festival que estava por acontecer.
            Chegando ao escritório me deparo com um senhor não muito amigável que não deu a mínima para minha presença e me deixou sentada em sua frente durante toda a manhã, ouvindo telefonemas desaforados, um entra e sai de garotas, acompanhado de beijinhos, abraços e troca de gentilezas. Passei a manhã toda sem praticamente ouvir palavra se dirigindo a mim. Não sabia se levantava e saía ou se puxava alguma conversa, o que, na verdade, não havia nenhum espaço. Fiquei ali, estática, sem movimento, sem ação, sem palavras.
O escritório era a própria residência do ilustre senhor. Ao meio dia era servido o almoço. Quem lá estava automaticamente se sentava à mesa para comer.
A casa era muito ampla e tinha uma arquitetura bem inusitada que evitavelmente chamava a atenção. Inúmeras obras de arte, entre quadros e esculturas que se espalhavam pelo salão. Ao meio, uma parede oval separava a sala de jantar do resto do ambiente. Antes que esta se fechasse e sem que houvesse porta havia um pequeno jardim interno que proporcionava um aspecto bastante agradável, deixando os convidados à vontade e com uma visão ampla de todo o ambiente. Da mesa via-se a sala de estar separada por dois degraus... 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Circuito Câmera Cotidiana

                     

      Estamos experimentando uma semana muito empolgante e enriquecedora. O Circuito Câmera Cotidiana é demais. Quantas coisas incríveis estou tendo a oportunidade de conhecer e aprender! Com o  tempo espero poder absorver tantas informações e ampliá-las. O audiovisual é um universo ao qual faço parte como seleta consumidora. Não tenho vistas boas para o grande número de sons e imagens que são oferecidas; penso que isso me privilegia pois tenho que escolher bem o que consumo; não sou aberta a tudo, realmente, sou criteriosa. 
    A galera do Câmera é bem bacana. Temos visto produções relevantes no universo das mídias alternativas,  podendo aguçar nosso senso crítico com relação às produções de massa, geralmente com interesses políticos por trás, além de padrões pré-estabelecidos.  Isso nos oferece  possibilidades de ampliar e enriquecer o olhar.
      Este curso, a meu ver, deveria fazer parte da  formação de professores. Além de aprender a lidar com as ferramentas, precisamos também aprender a lidar com a nossa realidade de forma mais ampla, mais crítica e mais consciente. As novas mídias são cruciais para a compreensão da nossa realidade  devido à complexidade do  momento histórico em que vivemos.
       Mas escrever um romance me parece bem mais fácil que produzir um filme! rsrsrsrsrs.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

redenção: romance em três atos p.2

       Não pretendo iniciar com pessimismos. Pelo contrário, precisamos manter o otimismo e a esperança diante de qualquer obstáculo. É o alimento mais saudável para o espírito. O pessimismo é o prenúncio da derrota.
       Em tempos onde a esperança é já a última, não podemos esperar sua certidão de óbito. Mesmo o caso sendo já tão grave, ainda assim é preciso continuar tentando prolongar sua existência.
       Mudar de vida, sacudir a poeira e começar tudo de novo é um grande risco e pode ser um caminho sem volta. Temos o privilégio da constância, da estabilidade, quando vivemos em solo cujas raízes são profundas. Uma vez em solo novo, estamos à mercê de erros e imprevistos, nos tornamos presa fácil das desconfianças e dos acasos. O solo pode não ser muito fértil e o adubo para prepará-lo pode ser insuficiente.
      A luta pela sobrevivência possibilita, por outro lado, nos aproximarmos de entidades invisíveis, uma necessidade quase desesperada de sentir a presença de Deus, ou dos deuses, anjos, santos ou magos e duendes, ter uma proteção superior, segura, mais forte do que tudo que nossos sentidos podem alcançar.
       Nunca é em vão cultivar a esperança, alimentá-la, perseverar, acreditar, correr riscos, se reerguer e recomeçar quantas vezes for possível e necessário, mesmo que represente, para o momento, uma preparação para nossas futuras gerações.
        O que justifica abandonarmos nossas raízes profundas e nos aventurarmos em terras longínquas e estranhas, sabendo que encontraremos tantas barreiras, tantas dificuldades, correndo o risco de voltarmos envergonhados como um filho pródigo depois de todos os perigos que enfrentamos?
        O ser humano traz dentro de si um misterioso desejo de conquistar. O novo é um desafio eminente e a segurança do antigo lar muitas vezes traz a sensação de atrofiamento. Talvez as perspectivas não atendam mais as expectativas e as novas necessidades. É preciso buscar novos horizontes. É próprio da natureza humana; uma natureza cigana ou a luta pela sobrevivência talvez justifique todos os riscos.

domingo, 25 de novembro de 2012