segunda-feira, 1 de julho de 2013

redenção: romance em três atos p.2

       Não pretendo iniciar com pessimismos. Pelo contrário, precisamos manter o otimismo e a esperança diante de qualquer obstáculo. É o alimento mais saudável para o espírito. O pessimismo é o prenúncio da derrota.
       Em tempos onde a esperança é já a última, não podemos esperar sua certidão de óbito. Mesmo o caso sendo já tão grave, ainda assim é preciso continuar tentando prolongar sua existência.
       Mudar de vida, sacudir a poeira e começar tudo de novo é um grande risco e pode ser um caminho sem volta. Temos o privilégio da constância, da estabilidade, quando vivemos em solo cujas raízes são profundas. Uma vez em solo novo, estamos à mercê de erros e imprevistos, nos tornamos presa fácil das desconfianças e dos acasos. O solo pode não ser muito fértil e o adubo para prepará-lo pode ser insuficiente.
      A luta pela sobrevivência possibilita, por outro lado, nos aproximarmos de entidades invisíveis, uma necessidade quase desesperada de sentir a presença de Deus, ou dos deuses, anjos, santos ou magos e duendes, ter uma proteção superior, segura, mais forte do que tudo que nossos sentidos podem alcançar.
       Nunca é em vão cultivar a esperança, alimentá-la, perseverar, acreditar, correr riscos, se reerguer e recomeçar quantas vezes for possível e necessário, mesmo que represente, para o momento, uma preparação para nossas futuras gerações.
        O que justifica abandonarmos nossas raízes profundas e nos aventurarmos em terras longínquas e estranhas, sabendo que encontraremos tantas barreiras, tantas dificuldades, correndo o risco de voltarmos envergonhados como um filho pródigo depois de todos os perigos que enfrentamos?
        O ser humano traz dentro de si um misterioso desejo de conquistar. O novo é um desafio eminente e a segurança do antigo lar muitas vezes traz a sensação de atrofiamento. Talvez as perspectivas não atendam mais as expectativas e as novas necessidades. É preciso buscar novos horizontes. É próprio da natureza humana; uma natureza cigana ou a luta pela sobrevivência talvez justifique todos os riscos.

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