É um tesouro – pensei: Três coisas que resolveriam grande parte dos
problemas de um povo. Talvez a juventude não sofresse tanto se adquirisse
qualidades tão nobres. A gente não fica sabendo dessas coisas.
A garota chegou e interrompeu minhas reflexões caretas e inúteis. Eu
sentia uma simpatia incrível por ela. Sua simplicidade, seu estilo próprio e a
postura firme...
- Olha só quantos livros! Como ele tem coragem de deixar tudo jogado
desse jeito?
- É! Todos ótimos.
Ficou olhando sem se aproximar, talvez por causa da poeira excessiva.
- Seu pai ainda não chegou?
- Daqui a pouco ele vem, vai trazer uma amiga que tá grávida.
- É dele?
- Não! Ninguém sabe quem é o pai. Ela não fala.
- Que doido! Que coisa, heim?
- Talvez nem ela saiba.
- Menina! Como pode isso? Que loucura!
- Total.
Fui ao corredor e abri um lindo baú azul. Dentro havia um número enorme
de discos de vinil.
- Vou chamar o segurança para me ajudar com o baú.
- Vai lá!
O segurança achou que era muita animação, mas na verdade era uma
urgência, um projeto de salvação de patrimônio cultural. Eu pagaria caro por
aquilo. Os discos estavam muito sujos. Precisariam ser lavados um a um, pois a
sujeira estava impregnada. Tirei a poeira superficial de tudo. Retirei as prateleiras
dos livros e pedi que recolocasse a grande lona preta sobre as que ficaram, repletas
de louças e garrafas de cerveja. Voltei à cozinha e fui à toillete lavar as mãos e o rosto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário