quarta-feira, 20 de junho de 2012


        Linguagens, mídias, dimensão estética e subjetividade
                                                                                                   Márcia Jardim

    Quando se institui a inserção da literatura na escola, pretende-se ampliar o conhecimento do aluno na construção de uma subjetividade "a partir de uma experiência estética". Para o professor Cristóvão Giovani, "é necessario se pensar os paradoxos e impasses para se propor uma relação entre arte e educação, entre literatura e escola".
     Essa experiência estética nos conduz a uma ampliação de possibilidades de relação com a natureza, com os outros e consigo mesmo, visto que os sujeitos, observando-os por outro ângulo e estabelecendo outras combinações, criam para si novas formas de vida, compondo outras tramas de existência no bojo de novos valores, novas sensibilidades, modificando-se profundamente neste processo.(FURTADO e ZANELLA,2007).
    Segundo Anne- Marie Chartier, "os professores podem ser de grande valia para despertar a curiosidade intelectual (...) incitando os alunos a ler (...) com o propósito único de se distraírem. O essencial é despertar o gosto pela leitura".
    Pensar literatura é pensar na linguagem em sua máxima expressividade. Ao lermos um texto literário entramos em contato com diversos saberes, desde científicos, históricos e sobretudo linguísticos. Dessa forma, as leituras são o território mais fértil para a construção de uma subjetividade.
    É importante que possamos cultivar o hábito da leitura desde a mais tenra idade. Podemos ampliar esse conceito para além da literatura especificamente. Com o advento da fotografia, do rádio, do cinema e da televisão, as possibilidades de informação se ampliaram assustadoramente. FURTADO e ZANELLA mencionam o fato de que o projeto de modernidade iniciado no iluminismo envolveu todos os aspectos da vida em sociedade, provocando mudanças, não sem conflito, na busca do desenvolvimento científico, na política, na economia,  filosofia e na administração dos grandes centros urbanos.
    De acordo com Walter Benjamin "Com o advento do século XX, as técnicas de reprodução atingiram tal nível que, em decorrência, ficaram em condições não apenas de se dedicar a todas as obras de arte do passado e de modificar de modo bem profundo os seus meios de influência, mas de elas próprias se imporem, como formas originais de arte. Com respeito a isso, nada é mais esclarecedor do que o critério pelo qual duas de suas manifestações diferentes — a reprodução da obra de arte e a arte cinematográfica".
    Quanto às técnicas de reprodução, Walter Benjamin se refere a "aura da obra de arte". Para ele, a obra de arte se destitui de sua autenticidade " na hipótese da reprodução, onde o primeiro elemento (duração) escapa aos homens, o segundo — o testemunho histórico da coisa fica identicamente abalado".
     Com o advento da fotografia e posteriormente, da imagem em movimento, ou seja, a invenção do cinema, ampliou-se a noção de arte. Segundo Benjamin " O fato de que, a partir do século XIX, tiveram a permissão de serem mostrados a um público considerável corresponde a um primeiro sintoma dessa crise não apenas desfechada pela invenção da fotografia, mas, de modo relativamente independente de tal descoberta, pela intenção da obra de arte de se endereçar às massas".
      Para Rodrido Medina Zagni,  já no contexto da segunda guerra mundial, o cinema se apresenta como " produto acabado do capitalismo, como um bem de consumo de massa, o cinema hollywoodiano tinha compromissos políticos e ideológicos e se articulava diretamente com a política externa dos EUA. Nesse moomento histórico, a arte era usada para controlar a opinião pública em função de um projeto ideológico do EUA em favor da ascensão capitalista.
    Atualmente, com o advento da internet e uma cultura visual em estado latente, o valor subjetivo e estético da linguagem é particularmente comprometido. Em um mundo cada vez mais veloz onde as informações chegam em tempo real, a possibilidade de leituras críticas e mais atentas é muitas vezes inviável. Porém, para não caír no pessimismo,  finalizo com Benjamin, que afirma: "Daí porque as extravagâncias e exageros que manifestam nos períodos de suposta decadência nascem, na verdade, daquilo que constitui, no âmago da arte, o mais rico centro de forças".

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