sábado, 19 de maio de 2012
Escravidão moral
Márcia Jardim
"Quanto menor a criança, menos foco ela tem e mais influênciavel ela é".Essas palavras de Yves de la Taille me fez pensar o quanto é essencial o cuidado com a formação de uma criança para que ela se torne um adulto com consciência crítica, com liberdade de expressão, com um caráter à prova de corrupções e influências perversas, entre elas a aderência à sistemas escravizantes, como o capitalismo, o consumismo e toda espécie de ismos que turva nossa sensibilidade, nossa capacidade de sermos seres autônomos e livres.
O romance Farenheit 451 parece ilustrar bem a intenção das redes de comunicação: tornar seus seguidores apáticos, incapazes de questionar o sistema, pois já nascem submetidos a ele. As pessoas acabam levando uma vida vazia e sem sentido. É uma nova espécie de escravidão: a escravidão moral.
Somos seres assujeitados, e daí vem toda a problemática da atualidade. Não questionamos o sistema, nos deslumbramos com todo o aparato tecnológico, somos seduzidos sem oferecer nenhuma resistência. As crianças já nascem inseridas nesse processo e não temos meios e nem forças suficientes para conduzir sua formação moral fortalecida contra todo esse aparato, visto que tudo é controlado por interesses de grandes corporações, canais de tv que disputam audiência e apelam de todas as formas possíveis para ter nossa atenção.
Para os poucos que de alguma forma conseguem escapar do sistema e ainda se preocupam em guardar aquilo que torna os seres humanos melhores e maiores, como defende o romance Farenheit 451, a luta se assemelha ao episódio bíblico da luta entre Davi e Golias; propõem a proibição de propagandas para crianças pois elas são mais vulneráveis. Em contrapartida, essas crianças acabam sendo o público alvo justamente devido a essa vulnerabilidade.
Se nossas crianças se desenvolvem com essa fragilidade moral, sujeitas ao sistema desde tenra idade, a luta contra a desvalorização do humano se torna cada vez mais enfraquecida e assistimos em grandes telas em 3D a nossa própria decadência.
A preocupação dos personagens de Farenheit 451 em preservar a memória para servir de espelhos nos quais todos podem voltar a se observar longamente é uma imagem bastante animadora; a luta não pode ser dada como perdida. O ser humano possui uma riqueza e uma complexidade imensa e não serão sistemas sofisticados de escravidão que irão destruir o que possuimos de mais valioso: a nossa própria essência, o que nos constitui humanos.
Para tanto, investir em educação de qualidade, de comprometimento, é uma ferramenta de valor incalculável. As mesmas ferramentas que escravizam podem ser utilizadas como instrumentos de libertação.
terça-feira, 1 de maio de 2012
querido diário
Querido diário,
Então é isso. .Fica resolvido então que vc é um diário. Um diário assim que não é tão somente para mim. Digamos que vc pretende ter um teor literário para satisfazer uma pretensão de sua dona. Não te divulgarei porque não é de meu feitio ficar oferecendo por aí minhas confidências; mesmo pq não sou de confidências pois minha vida é muito sem acontecimentos íntimos; passei dessa fase, Dieu merci.
Mas para não cair em uma subjetividade absoluta e sem sentido, e outra, diário é para se contar
sobre o nosso dia, te digo que hoje foi um dia que correu tão naturalmente como as águas correm para o mar; não pense que isso o tornou insosso, pelo contrário...
Preferi fazer meu próprio almoço ao invés de sair para almoçar. Claro que gerou afazeres, essa opção, mas tb trouxe um dia tranquilo e agradável, sem ter de me submeter a olhares e julgamentos, análises e conclusões, ou mesmo indiferêncas. Foi ótimo. Me poupei bastante.
Para não passar toda a jornada sozinha - o risco de se habituar pode torná-lo um antissocial completo -decidimos, eu e o filho, dar uma volta. Eis que algo acontece.Coisas incríveis acontecem do nada; é como se vc estivesse o tempo todo se preparando pra isso.
Encontros, contatos, som, imagem e ritmos.
domingo, 29 de abril de 2012
Tecnologia, cultura e educação
Ano passado participei de um curso, na verdade um estudo que chamamos " prática audiovisual na sala de aula. Por fim, acabei relacionando essas práticas à "tecnologia, cultura e educação", nessa ordem, pois entendi que estão totalmente interligadas. A tecnologia é um avanço da humanidade.Desde o advento da fotografia, das imagens em movimento, que o homem busca esse avanço tecnológico.
A ementa do curso aborda exatamente os conceitos para os quais devemos nos voltar em busca dessa tão urgente "inclusão digital". Devemos estar atentos às mídias e sermos capazes de fazer leituras críticas, saber selecionar e organizar conteúdos, uma vez que dispomos de uma gama imensa de produtos, tanto no que diz respeito às ferramentas quanto às produções.
A preocupação dos autores com relação à questão mercadológica é muito pertinente. Devemos estar atentos para não nos tornarmos vítimas das exigências de mercado. No "ensaio sobre a educação á distância no Brasil", da autora Maria Luiza Belloni, me chamou a atenção a questão dos "bolsões tecnificados", onde as desigualdades podem ser ainda mais agravadas com os avanços tecnológicos, colocando desafios imensos para a educação no que diz respeito à construção da subjetividade, desenvolvimento crítico e senso estético de educadores e educandos, uma vez que estamos todos envolvidos neste processo.
Interssante a escolha do texto selecionado nos parâmetros curriculares. A arte tem o poder de sensibilizar, de desenvolver a subjetividade, a estética e a consciência crítica. É, na minha opinião, a arma mais poderosa que dispomos, sobretudo nessa era em que o homem se vê ameaçado pela máquina.
Ano passado participei de um curso, na verdade um estudo que chamamos " prática audiovisual na sala de aula. Por fim, acabei relacionando essas práticas à "tecnologia, cultura e educação", nessa ordem, pois entendi que estão totalmente interligadas. A tecnologia é um avanço da humanidade.Desde o advento da fotografia, das imagens em movimento, que o homem busca esse avanço tecnológico.
A ementa do curso aborda exatamente os conceitos para os quais devemos nos voltar em busca dessa tão urgente "inclusão digital". Devemos estar atentos às mídias e sermos capazes de fazer leituras críticas, saber selecionar e organizar conteúdos, uma vez que dispomos de uma gama imensa de produtos, tanto no que diz respeito às ferramentas quanto às produções.
A preocupação dos autores com relação à questão mercadológica é muito pertinente. Devemos estar atentos para não nos tornarmos vítimas das exigências de mercado. No "ensaio sobre a educação á distância no Brasil", da autora Maria Luiza Belloni, me chamou a atenção a questão dos "bolsões tecnificados", onde as desigualdades podem ser ainda mais agravadas com os avanços tecnológicos, colocando desafios imensos para a educação no que diz respeito à construção da subjetividade, desenvolvimento crítico e senso estético de educadores e educandos, uma vez que estamos todos envolvidos neste processo.
Interssante a escolha do texto selecionado nos parâmetros curriculares. A arte tem o poder de sensibilizar, de desenvolver a subjetividade, a estética e a consciência crítica. É, na minha opinião, a arma mais poderosa que dispomos, sobretudo nessa era em que o homem se vê ameaçado pela máquina.
domingo, 15 de abril de 2012
Pirenópolis , 15 de abril de 2012
Excelentíssimo
Senhor Ministro,
Venho
através desta, por intermédio da EAD (ensino a distância), tratar de assuntos
relacionados à inclusão digital, tema de extrema seriedade no momento, visto
que a inclusão digital não é somente o acesso aos equipamentos mas também toda
a problemática que envolve seu uso de forma apropriada e consciente, de modo
que funcionem a nosso favor,
contribuindo com a nossa formação e nossa independência através dos
benefícios que a cultura digital proporciona.
Gostaria de comentar a propósito de
uma entrevista do Sr. Ministro Fernando Haddad, em que ele disse que nós
professores, a princípio, deveríamos fazer o arroz com feijão bem feito para
impulsionar a educação. Isso foi a algum
um tempo, creio que no início de sua primeira gestão. Lembro-me que era um momento delicado e que medidas urgentes eram necessárias,
questões presentes até o momento.
A inclusão digital pressupõe certas
medidas relativa s à educação. Precisamos
preparar nossas crianças com o sentimento de cidadania, de consciência crítica, valores humanos e até questões
estéticas, pois somos enxovalhados com produtos culturais que são verdadeira afronta ao bom gosto e à inteligência.
É necessário medidas que diminuam
os abismos da desigualdade social para que os mesmos não sejam ainda mais
acentuados com a exclusão digital, pois
bem sabemos que vivemos a era do conhecimento e da informação e esses são
pressupostos básicos para o progresso da sociedade. Sabemos ainda que esses
recursos facilitam o acesso do cidadão ao mercado de trabalho e ao exercício da
cidadania.
Vivencio questões muito peculiares
na cidade em que exercito minha função de educadora, pois trata-se de uma
cidade turística. Os moradores se
deparam com pessoas de diversas partes
do mundo e sentem-se acuados. Os jovens são muito desinteressados pelo
conhecimento e vivem um deslumbramento tecnológico, ao qual o acesso é muito
facilitado. Em contrapartida não tem uma visão crítica a propósito de produções
culturais, pois não participam nem mesmo
se interessam pelo que a cidade oferece
de interessante, como a feira literária(FLIPIRI), Canto da primavera, entre
outras oportunidades que acabam acuando o morador, pois a presença do turista é
massiva nesses momentos.
Compreendo, Senhor Ministro, o quão delicada é a questão
da Educação, pois ela é sem dúvida o pilar fundamental de uma sociedade desenvolvida. Sei quantos desafios enfrentam os envolvidos
nesse processo; na verdade, todos são envolvidos.
Não sei se Vossa Excelência lerá
esta carta que pretende chegar a vossas mãos, mas espero que políticas eficazes
sejam desenvolvidas sem interrupção para que o processo avance. Desejo
sabedoria e tranquilidade para que possas cumprir a missão que vos foi
destinada.
Com respeito,
Profª Márcia Jardim
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
REDENÇÃO:romance em três atos
Não dá mais para adiar. Não importa se
ao redor reina uma grande agitação que não dá espaço a nenhum pensamento, que
dissipa toda atenção e desestimula o começo do trabalho; porém não é lícito
alimentar a preguiça aproveitando para adiar mais um pouco o que era pra ontem.
Chega um momento em que você precisa se justificar antes de tudo a si
mesmo. Suas atitudes e seu comportamento é questionado e você compreende que se
realmente pretende fazer algo não pode mais adiar. Tudo se dissolve no ar com
as palavras que não se permitem fotografar, como dizem as análises dos
discursos. Restam somente impressões que o tempo apaga sem demora, dada a sua
transitoriedade; já que as palavras não se permitem fotografar, é preciso
tentar desenhá-las.
Por onde se começa uma história? Pelo começo, dirá quem venha a ler estas
linhas simplórias, quase vazias. Mas começar uma história que nunca foi contada
é um pouco menos simples, mesmo porque o leitor costuma ser exigente e o
contador deseja ser merecedor de sua atenção.
É inegável que desejamos ser ouvidos, compreendidos, queridos pelo nosso
grupo, por aqueles que nos acompanham, nos auxiliam, completam o sentido da
nossa existência e compartilham conosco emoções e experiências. Quando esses
sentimentos ameaçam deixar de existir ou mudar seu verdadeiro sentido, nossas
atitudes e opiniões parecem incoerentes para nós mesmos e ameaça o deturpar a
intenção das nossas ações.
Vivemos o tempo das incertezas. É quase proibido ter segurança nos dias
atuais. É egoísta, irresponsável até. Confiança, harmonia, estabilidade, são
quase sinônimos de alienação. Ninguém é alienado, todo mundo é bem informado e
você é conduzido inevitavelmente à desconfiança. Dessa forma nos situamos na
nossa realidade tão complexa e imprevisível.
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